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Poema devaneando

Estou blindada Contra a indiferença Contra tua ausência E a distância de sua presença. Mesmo blindada Preciso me armar Contra a fragilidade Da solidão. Seu sorriso ilumina Mas a distância Aumenta meu tormento Nesse mundo partido. Vivo escondida Numa toca apertada, Confortável, bagunçada Sua voz me consola.

Sem sentido

O mundo num círculo Gira o infinito O mundo não pára Continua em seu vício Uma imensa certeza É um intenso tormento Acordo, discordo, redondo O mundo ressoa Há um destoar de sons Um imenso arco-íris Mistura num tambor Mantendo o humor Rumores sem sentido A fofoca corre solta No meu mundo só vejo Nada de cores O acorde mais alto Embaralha meus sentidos Será cor, será som Serei eu mesmo adiante... Guacira Maffra 27/07/2021

Náufrago

Tento ser alguém melhor Mas fracasso Tento ser alguém especial Mas impossível Sou apenas um grão de areia Perdido em alto mar Me agarro às ondas Para não naufragar...

Haicais

Na parede do quintal  Riscos do tempo passado  Musgo descascado. Guacira  18/08/2024 ..... Espelhadas no chão Formigas no pé descalço  Corre-se parado. Guacira 18/08/2024

Depressão

O universo grita Quero mergulhar no infinito  No abismo do seu sorriso. Como ser quem sou, Se nem no espelho consigo  Mergulhar no meu reflexo, Vislumbrar meu brilho? Estou trancada em mim Em queda livre num buraco negro... Não adianta continuar a gritar, Se ninguém me ouvirá... Guacira  13/08/24

Dia 2

Algo que te contaram e você nunca esqueceu. A vida é uma eterna contação de histórias que são esquecíveis... Parada, ouvindo Kpop aleatório e mesmo no repeat, olho para a tela iluminada do celular. Uma paz, apenas alcançada num domingo, se apodera de mim. Volto para minha leitura: romance histórico, autoajuda com pretensão de poesia, romance jovem adulto... Difícil escolher. Tinha vontade de jogar tudo para o alto e apenas me entregar aos braços de Orfeu. Mas a vida cobra seu preço por se aproveitar de momentos de ociosidade. Quero sair da cama, fazer algo para os outros, ou apenas virar para o lado e voltar a dormir. Será que serei criticada? Será que consigo seguir em frente e aguentar da vida as porradas? Questionamentos inseguros de uma cabeça perturbada. Resolvo aceitar minha impotência e me abraçar no escuro. Você não é a única sofrendo! A vida não gira em torno de seu umbigo! Seja você mesma e saia de baixo do seu esconderijo! Mas não alcanço a maçaneta, estou caindo na obscures...

Travo

Travo diante das inibições Travo diante das expectativas Travo diante do medo Travo diante das despedidas... Esse medo que me cobre Invade meus pensamentos Toma conta dos momentos Não sei como sobreviver... Espero Aguardo Persevero? Travo...

Divagando

Devagar vou vagando Por entre as ruas, sou sonâmbulo. O vento sopra em meus cabelos, o corpo arrepia de medo. Num rompante, o tempo se rompe. Meus sonhos já eram Essa vida infame De infinitas rebeldias De calor do vexame. E os pensamentos vão vagando E as alegrias se perdendo Como agulha num palheiro A chuva entope a tampa do bueiro. E os sonhos vão deixando de sê-lo Num ritmo frenético da maresia Sinto o gosto amargo da derrota Sinto a vida se esvaindo. Tal qual a perda da identidade O sol faz sua lenta descida. O amor intempestivo Num raio de sol morre Se esvaindo no marular do destino. Guacira Maffra 2023

Inspiração / criatividade

"Escrever uma página por dia não parece muito, mas faça isso por 365 dias e você terá o bastante para preencher um romance." E é assim que começo esse post, publicado no livro "Roube como um artista", de Austin Kleon. E vamos ao primeiro dia! O pôr do sol ideal é o cíclico que não para, que faz a cabeça girar ao contemplar suas cores únicas. Nunca vi um pôr do sol que fosse igual a outro. Já teve gosto de sorvete de pistache, emoldurado por grades da janela, através do parabrisa do carro. Cada um com uma pontinha de saudade de re-sentir suas impressões dentro do coração. Como naquela batida suspensa do coração e no atraso de se filtrar a imagem. Nunca igual. Vamos parar para observar o colorido de um pôr do sol?

O senhor das moscas

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Se por acaso eu fosse parar numa ilha deserta que tipo de pessoas eu gostaria que estivessem comigo? Não sei, talvez uma pessoa forte suficiente para me ajudar a sobreviver ou aquela que tivesse mais carisma e fizesse com que os outros colaborassem com as tarefas, ou mesmo alguém inteligente o suficiente para garantir a nossa sobrevivência até o ponto de sermos resgatados? O livro "O senhor das moscas" é um romance interno de thriller psicológico, onde o individualismo volta às suas origens, mostrando como o ser humano, representado nas crianças abandonadas numa ilha deserta, é transformado. Cada uma dessas crianças tem características próprias. Você tem, por exemplo, os três personagens principais que são Ralph um garoto carismático, Jack que usa dá força para conseguir o que quer, e Porquinho que tem aparência que desagrada as pessoas, sofre bullying por ser gordo, asmático e quase cego, porém é inteligente, apesar de ser covarde e não ser capaz de seguir os out...

Três mulheres

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Há tanto tempo não passo por aqui para dar uma palavrinha. Se bem que esse blog é algo mais para mim mesma do que para os outros. Desabafo um pouco, escrevo para esvaziar as palavras que me perturbam o pensamento. Acabei de terminar de ler um livro totalmente fora da minha zona de conforto. Não curto histórias de não ficção, mas a @apamgoncalves propôs em seu novo clube de leitura e eu topei. O livro "Três mulheres", de @lisataddeo, publicado pela editora Harper Collins, traz três histórias de mulheres reais e que viveram o julgamento de serem quem são. Difícil falar sobre as temáticas abordadas pela autora, principalmente, quando compreendemos que esses fatos aconteceram com mulheres de verdade e poderiam ter acontecido com qualquer uma de nós, ou mesmo com mulheres que nos sejam próximas. Não é como se aquelas passagens tivessem sido puramente fruto da mente inventiva da autora. Ela foi direto à fonte. Buscou relatos, entrevistas, autos de processos, registros em diários pe...

Resenha Fahrenheit 451

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O que dizer de um livro que mostra um mundo distópico onde ler livros ou manter livros em sua casa é proibido? E que a função de um bombeiro é a de queimar livros e não apagar incêndios? Pois esse é o plot inicial do livro: um bombeiro que de repente começa a perceber a insignificância de sua vida e que busca, nos livros, um caminho  para preencher esse sentimento de vazio, que procura por alguma coisa que nem ele compreende o que falta. Montag é esse bombeiro por volta dos trinta anos, casado com Mildred, uma mulher vazia e que vive às voltas com sua ilusão presa às telas.  Um dia à noite, após o trabalho, ele conhece a filha do vizinho, uma menina de dezessete anos chamada Clarisse e que é chamada de maluca, pois gosta de pensar e fazer perguntas e não se interessa por como as coisas são feitas, mas por que essas coisas são feitas. A partir daí, Montag começa a questionar a sua própria vida e seu trabalho, deixando de ver sentido naquela tarefa. Gostei muito do livro, prin...

Rotina

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Hoje tive de parar para fechar as notas dos alunos do Tabacow. A tarefa difícil mais fácil do planeta! Fechar notas é muito complexo e demanda concentração e bastante tempo para analisar as atividades feitas pelos alunos, corrigir, atribuir notas. Mas estou certa de que levei muito mais tempo preparando as atividades desta quarentena, onde estamos desenvolvendo trabalho remoto, do que eles levaram para fazer. Será que é algo tão absurdo assim querer que eles leiam um livro? Não sei, vai ver é. Só não consigo enxergar dessa forma, já que não passo um dia sequer da minha vida sem ler alguma coisa, qualquer livro físico ou digital ou mesmo um mangá. Estou aqui na frente da tela do computar e ouço BTS na tevê da sala, curtindo o momento. Fechar e digitar as notas foi fácil, pois a maioria dos alunos, simplesmente, deletou o fato de terem aulas de Língua portuguesa e a necessidade de fazer alguma atividade para que eu possa atribuir uma nota por seu esforço. Não sou carrasca. Se...

Resenha Gregório de Matos

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Com tanta poesia contemporânea fazendo sucesso nos dias de hoje, as pessoas esquecem seus poetas clássicos e o quão poderosas suas produções artísticas foram para seu tempo e para a nossa compreensão da sociedade de outras épocas. Gregório de Matos, também conhecido como "Boca do inferno", foi um desses exemplos de poeta que viveu entre os anos de 1636 a 1696. Sua poesia agrada pela sonoridade, visto que muitos desses poemas seguem a forma clássica dos sonetos, mas, ao mesmo tempo, incomoda seu tempo com suas produções satíricas. Ele não tinha papas na língua ao citar os nomes de suas "vítimas" em seus poemas. Eu gosto particularmente dos poemas morais e de amor, pois para compreender os poemas satíricos, muitas vezes, temos de recorrer às explicações históricas e não apenas a uma busca pelo seu vocabulário. Iuri Pereira reuniu os poemas do autor nessa antologia e os dividiu por assunto, fazendo intervenções breves do sentidos de alguns termos usados pelo poeta. R...

Grande sertão: veredas

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O que dizer de uma leitura tão consagrada e difícil? O livro é um diálogo entre o narrador (Riobaldo) e alguém que não se tem certeza de quem seja, talvez um homem da cidade, alguém mais jovem, ou uma pessoa que não conhece as dificuldades de se viver no sertão. Riobaldo foi jagunço, estudou, não teve pai (apenas um padrinho) e viveu no meio do sertão e de suas veredas (rios, caminhos). Ele é um homem dividido, controverso, não se decide sobre a existência de Deus e do diabo, não sabe se quer essa vida de jagunço ou se deseja ser líder. Seu coração também é dividido entre o amor por Otacília (e outras mulheres que conheceu pelas veredas da vida) e Diadorin, um jagunço lindo, conhecido por Reinaldo. Nessa história temos conhecimento dos pensamentos dele por Diadorin e do seu desejo pelo rapaz, no entanto, ele nunca cogitou a hipótese de se declarar. Riobaldo conta suas aventuras na jagunçagem e o desejo de vingança. Mas, por ele, talvez fosse melhor ter abandonado tudo e vo...

Resenha Cem anos de solidão

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O colombiano Gabriel García Márquez lançou Cem anos de solidão em 1967 e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura por essa obra de Realismo mágico, ou Realismo fantástico, em 1982. Dizem que esse livro é o segundo melhor livro de língua espanhola, só perdendo para Dom Quixote. Sem  querer desmerecer a grandiosa obra de Miguel de Cervantes, não concordo com isso. Li os dois livros, e, talvez por ser mais moderno, o livro Cem anos de solidão é muito melhor. É claro que essa é uma opinião de uma reles professora de língua portuguesa apaixonada por leitura. O primeiro indício da grandiosidade do livro é ele ter me feito largar todas as outras leituras de lado e me focar apenas nele. Os vinte capítulos são longos e eu não consegui parar de ler. A cada parágrafo e a cada página, eu queria entender mais e mais as personagens que surgiam ao longo da história e acompanhar sua história e fazer a ligação entre as histórias. Para quem não conhece a história, Cem anos de solidão conta a história da ...

Resenhando a vida

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Uma leitura finalizada diz muito mais sobre mim mesma do que do livro lido. Difícil abandonar uma leitura e, ao começar um livro novo, sempre busco a leitura por causa de alguma situação que me fez abrir espaço para ela. Às vezes, é por conta de demandas do trabalho, como por exemplo, Emília no País da Gramática. Como assim, uma professora de língua portuguesa que nunca leu esse clássico de Monteiro Lobato na íntegra? Então, comprei uma edição nova em folha (mesmo quando já tinha outra em PDF na minha estante virtual) e li. Li com olhar crítico, notando as mudanças da língua, e anotando possibilidades de exercícios de interpretação e análises semântica e sintática (para poder trabalhar com meus alunos do ensino fundamental de anos finais).  Estar de quarentena me deixou mais obcecada pelas minhas leituras. Montei pilhas de livros físicos novos e encalhados e baixei milhares de livros no Kindle (principalmente, os gratuitos) e comecei minhas leituras. Três ao...

Resenha Harry Potter e a Câmara secreta

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Relendo esse segundo volume da série Harry Potter, percebo que, as impressões que tive em minhas leituras anteriores, se mantêm. O livro é muito bem construído em termos de enredo e de personagens. Aos poucos, JK Rowling vai introduzindo personagens e pistas sobre coisas mais grandiosas que aparecerão mais para frente na narrativa. Ela não deixa pontas soltas dentro desse segundo ano escolar de Harry e, ao mesmo tempo, usa uma linguagem que qualquer criança da mesma faixa etária dos protagonistas da história poderia acompanhar sem problema. Um livro que gostaria de ter tido oportunidade de ler quando era criança. Mas, mesmo tendo lido em fases diferentes em minha vida adulta, isso não me tirou o prazer dessa leitura.

Resenha A corrida de escorpião

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A corrida de escorpião, de Maggie Stiefvater , conta a história de Kate (mais conhecida por Puck ) e Sean, dois jovens que vivem em Thisby , um lugar à beira-mar, fictício, onde aparecem os terríveis capall uisce , cavalos sanguinários que vivem no mar e que saem às vezes para caçar em terra. Esses animais, quando capturados, fazem parte da famosa Corrida de escorpião, uma competição para poucos e que gera um monte de lucro para as pessoas envolvidas nessa competição, seja com o comércio ou com apostas. A vida de Puck e de seus irmãos não é fácil, mas, com medo de perder a casa, decide participar dessa competição como a primeira mulher a tentar, fazendo com que todos da região se sintam desconfortáveis com isso. Então ela conhece Sean, um jovem de dezenove anos que venceu essa corrida quatro vezes e que possui o desejo de comprar de seu patrão Corr, um dos terríveis capall uisce. E dessa amizade surge algo mais. Uma história que emociona e que nos deixa presos do início ao fim com ...

Resenha Prisioneiro da noite

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O prisioneiro da noite, de J.R. Ward é mais um livro da série do universo vampiresco da Irmandade da Adaga Negra. Nessa história, conhecemos Ahmare, uma vampira disposta a qualquer coisa para salvar a vida de seu irmão e quê, para isso, é obrigada a usar Duran, um vampiro preso há 21 anos e que sofreu todo tipo de abuso. Conhecemos a história de cada um dos dois personagens principais e como o vínculo cresce entre eles. Mais uma vez, a autora me fez mergulhar nesse universo sensual de violência, vingança e amor. Adorei!