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Mostrando postagens com o rótulo #100palavraspordia

O prazer da leitura (crônica)

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Ler faz muito sentido na minha vida. Lamento não ter descoberto os prazeres da leitura bem antes. Não me leve a mal, eu lia antes dos meus dezoito anos. Na minha casa sempre tive muito livro disponível, foi ali que tive contato pela primeira vez com esse universo, não foi na escola. Apesar da escola ter tido um papel importante para me "forçar" a ler. Mas, o prazer nesse processo, encontrei apenas somente aos dezoito com As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley. E foi a partir desse ponto que ler passou a ser parte constante em minha rotina. Acordo e pego um livro. Vou ao banheiro e levo um livro. Sala de aula: livro. Sala de espera do hospital: livro. E assim a vida passa. Nada como um bom escapismo disfarçado de livro. Mas nessa correria do dia-a-dia quem nunca resolveu que leria um livro para relaxar a cabeça, esquecer os problemas, viajar para um mundo novo, com direito a passagem de ida e volta gratuita? Talvez você ainda não tenha tido o prazer, mas digo ...

O retorno

Aguardava o momento do retorno. Aquele que lhe levaria de volta à rotina. Aquele do qual não havia escapatória. Fuga? Nem podia parar para pensar. Bastava se contentar com a esperança ínfima de que logo logo se veria livre dali. Talvez por dois dias, algumas horas de sono (se não renovadores, pelo menos, um pouco de conforto trariam). E ela ali passava as vistas de minuto a minuto imaginando que o sossego teria fim. Nada de músicas alegres. Nada de séries engraçadas e empolgantes. Nada da leitura sistemática de um livro atrás do outro. Em trinta dias, finalizados 32! Orgulhava-se da façanha, mas sabia que mais uma dessa apenas dentro de cinco meses, talvez, se o corpo não pedisse arrego em algum hospital mais uma vez. Tem sido assim nos últimos anos. Meses dentro da rotina e bum, cai doente. Cada vez por um motivo diferente. Mas fazer o quê? Quem tá na chuva é para se molhar. Se bem que prefiro numa pi...

Emoções fortes

Tudo bem, confesso, adoro livros, filmes, séries, que me despertam sentimentos! O livro pode não ser considerado um clássico em potencial, mas se faz com que eu sinta um friozinho na barriga, pronto, vira favorito da vida. É por isso que, muitas vezes, acabo dando cinco estrelas para obras que nem sempre são consideradas as melhores (de acordo com especialistas da área). Por exemplo, adoro primeiras vezes. Primeira vez que um segura na mão do outro, primeiro encontro, primeiro beijo, primeira transa. É clichê? Sim. Pode ser. Mesmo sendo, não tira a sensação de borboletas batendo suas asas agitadas no meu estômago. Eu sou um ser humano muito focado nas emoções e, quando o autor (a) foca nas atitudes dos personagens que me fazem sentir junto com eles, aí a obra vira favorita da vida. Poderia me perder aqui durante horas dando exemplos quando isso aconteceu. Mas faltariam linhas e excederia às #100pala...

Ruminando

Pela primeira vez na minha #vida, resolvi contabilizar quantos #livros estou #lendo nas minhas férias. Estou chocada! De verdade! A minha Contagem pelo #Skoob, de março a dezembro de 2018 chegou a 110 livros, de gêneros variados. Pode me chamar de louca, não me importo. Essa #leitura toda me trouxe momentos muito prazerosos, #viagens por lugares fantásticos e pude vivenciar #sentimentos que me fizeram ficar com um frio na barriga ou chorar litros. O que importa é que #ler me fez acalmar meus monstros interiores.  Naqueles poucos minutos de sossego nas escolas, fui antissocial e me entreguei à leitura e mais nada. Nada contra ninguém, que fique bem claro. Mas como li tanto, você poderia me perguntar. Livros de papel, #ebooks, #KindleUnlimited, #celular, tudo de bom. Não importa a forma onde veio, o que importa é o conteúdo. Não saio sem meu celular, e nele, há uma infinidade de livros digitais (bendita memór...

Rotina

São Paulo é sempre a mesma. Mesmo trânsito, mesmos preços, mesma sensação de medo. Não me vejo vivendo em outra cidade, mas não suporto a ideia de passar o resto dos meus dias com essa sensação depressiva que toma conta de mim. Não precisou de muito para me adequar à rotina dos últimos dias das minhas férias, o problema é saber que a sensação de não querer voltar à rotina me domina de uma maneira insana. É como se eu não pudesse controlar a vontade de estar em contato com a praia, o mar, o céu azul se confundindo com o horizonte... Como sinto falta dos pequenos sentimentos que uma cidadezinha litorânea me trazem. A maresia acalma, o azul esverdeado do mar acalma, a sensação úmida da areia na sola do pé acalma... São Paulo não tem nada que se compara a esses sentimentos de calmaria. Até mesmo um dia de chuva tem um poder de acalentar que ...

Sétimo dia

As horas passam voando. A roupa suja em sacolas, as comidas no isopor, o lixo dos banheiros sendo retirados, lá fora, os pássaros cantam, o sol a pino e, aqui dentro, o coração que se aperta e o suor escorre pelo corpo. A despedida é difícil para qualquer um em qualquer situação. Há a expectativa do retorno e o medo da saudade daquilo que ficou para trás. Há dias que se espera por esse momento inevitável, mas não posso fazer nada. A ansiedade me faz contar os segundos, minutos, horas, dias... Foram muitos. Agora estou partindo. Queria ficar um pouquinho mais, talvez um dia, uma semana, um mês... Iludo meu coração dizendo: esse ano você irá mais vezes. Deixo um vidro de xampu usado pela metade na prateleira do banheiro, para dar a intenção subliminar de que logo voltarei. Sei que não acontecerá, não da forma que eu gostaria. A saudade do mar e da praia aos poucos virar...

Sexto dia

Acabou o sossego. Passou as duas semanas anteriores em São Paulo, longe da calmaria do mar e dos problemas do trabalho. Por mais incrível que pudesse parecer, a loucura da cidade grande e poluída era o refúgio ideal para a rotina. Mas já era. Precisou acordar às cinco, vestir o uniforme informal e partir para o batente, montado em sua bike vermelha. Tudo era vermelho e amarelo no seu dia a dia, sem deixar espaço para outras cores. Por isso, a única coisa que não lamentava era olhar para aquele mar lindo de Deus. Algo que nunca tinha a mesma cor, bastava observar ao longo do dia. Estacionou seu veículo dentro da sede dos bombeiros e foi recebido com abraços e votos de um bom retorno e feliz ano novo. Sua tarefa nas primeiras horas de trabalho seria permanecer de plantão ao lado do telefone do 193. Parecia piada, mas era assim que os outros agiam. Tirou um café da máquina, amargo e forte, e sentou-se na banqueta de ...

Quinto dia

Durante a caminhada da manhã, ela passava sempre pelos mesmos lugares. Como se seguisse um roteiro. Fazia parte do trajeto os guarda vidas do corpo de bombeiros. Ela procurava diminuir o ritmo dos passos ao cruzar o trecho do local apenas para observar como era o início do trabalho ali. Tudo vermelho e amarelo. O portão, na maioria das vezes, trancado, mas a porta interna aberta, dando visão para os dois lados da construção: de um lado a rua, do outro a praia. Nunca parou para conversar, apenas trocou uns esporádicos "bom-dia", com os rapazes vestidos de bermudas amarelas a camisetas regatas vermelhas. Mas aquele local a fascinava. Ela nunca entendia os motivos de seus sentimentos, mas os garotos ali a fascinavam como nenhum outro de qualquer lugar. Por um momento, ao longo de seu  caminhar vagaroso, uma sirene soou, portões foram abertos, e a ambulância do corpo de bombeiros partiu bem às suas costas. Houve uma troca de olhare...

Quarto dia

Nem sempre precisamos acordar de bem com a vida. Às vezes, abraçar a melancolia ajuda a nos libertar de sofrimentos futuros. Sempre fui essa massa de contradições. Sempre tive meus momentos de mau humor e de querer me isolar do mundo. Curtir uma deprê de modo bem egoísta. Tudo bem. Não significa que vou me atirar da ponte ou dar um tiro na cabeça de alguém. Significa apenas que preciso ficar sozinha e me reencontrar. As férias são uma oportunidade perfeita para isso acontecer. Basta uma caminhada à beira-mar e a leitura de um livro de romance fantástico atrás do outro que esse sentimento de me isolar do mundo se torna passageiro. #ggmaffra #100palavraspordia #quartodia

Terceiro dia

Os olhos se arregalaram e ela saltou para traz, pegou o papel toalha em cima da mesa, limpando a mancha de café que arruinava sua regata. —  Desculpa, prima! Não tive a intenção de te assustar... — Achei que você estivesse em seu quarto. — Já fiz minha caminhada da manhã. Amanda fechou a cara e retornou ao quarto, buscando na mala de viagem uma camiseta que não cheirasse a café e, ao mesmo tempo, escondesse a sua bunda. Da porta do quarto, Ana observava a prima. — Ultimamente, você caminha concentrada em qualquer coisa, menos na sua companhia. — Eu sei, deixa pra lá. Tô indo. Amanda saiu do apartamento, batendo a porta atrás de si. Observou que o céu espelhava seus pensamentos: cinza, com nuvens carregadas. Não veria o mar da cor de prata derretida como nas manhãs em que o sol permanecia soberano no céu. Tudo bem. A vida era assim mesmo, num dia sol, no outro c...

Segundo dia

Na escuridão do quarto, o movimento das hélices dos ventiladores abafam o cantar dos pássaros que despertaram para mais um dia. Leva um tempo para que ela deseje se levantar e entrar no seu costume de todas as manhãs. Sua vida sempre fora pautada na rotina, nada de novo, nada de imprevistos ou de fazer algo diferente. O celular no silencioso para que ninguém seja capaz de atrapalhar o seu descanso. Observou a tela, 06:34, o mesmo horário de ontem ao fazer esse mesmo movimento. Na janela de madeira, o reflexo do sol a convidando para seu passeio matinal.  Tudo bem. Nada de novo. Trocou a camisola de algodão pelo shorts e a camiseta, calçou os tênis e saiu do quarto para sua xícara de café. Sua vida era assim: cheia de clichês que precisavam acontecer para que mais um dia surgisse. Mas dentro de toda a previsibilidade, uma tosse rouca e familiar a fez derrubar o café em sua roupa. #100palavraspordia #ggmaffra #guac...

Primeiro dia

Mais uma manhã. Meu coração grita "férias!", ao mesmo tempo que faço uma prece silenciosa agradecendo pela dádiva de poder ver aquele mar me acompanhando ao longo de minha caminhada. De um lado o sussurro das ondas do mar. Do outro, o cantar excitado dos pássaros. "Cuidado com a família dos Quero-quero, eles podem te atacar", a memória das palavras de minha mãe me recordam ao ver o macho buscando por sua cria ao longo das sombras rendadas da árvore. Ignoro tudo ao meu redor, focada apenas no exercício. O ar entra e sai do corpo, a garrafa de água mineral como o suporte para exercícios aeróbicos para os braços. Sigo em frente, nada me abala. Nada atrapalha os instantes transcendentais do meu merecido descanso. Um "bom dia" passa de bicicleta, o portão da sede dos bombeiros range quando um deles chega para bater o ponto. E sigo meu caminho. Sei que não será eterno. O implacável momen...