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Resenha Fahrenheit 451

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O que dizer de um livro que mostra um mundo distópico onde ler livros ou manter livros em sua casa é proibido? E que a função de um bombeiro é a de queimar livros e não apagar incêndios? Pois esse é o plot inicial do livro: um bombeiro que de repente começa a perceber a insignificância de sua vida e que busca, nos livros, um caminho  para preencher esse sentimento de vazio, que procura por alguma coisa que nem ele compreende o que falta. Montag é esse bombeiro por volta dos trinta anos, casado com Mildred, uma mulher vazia e que vive às voltas com sua ilusão presa às telas.  Um dia à noite, após o trabalho, ele conhece a filha do vizinho, uma menina de dezessete anos chamada Clarisse e que é chamada de maluca, pois gosta de pensar e fazer perguntas e não se interessa por como as coisas são feitas, mas por que essas coisas são feitas. A partir daí, Montag começa a questionar a sua própria vida e seu trabalho, deixando de ver sentido naquela tarefa. Gostei muito do livro, prin...

Rotina

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Hoje tive de parar para fechar as notas dos alunos do Tabacow. A tarefa difícil mais fácil do planeta! Fechar notas é muito complexo e demanda concentração e bastante tempo para analisar as atividades feitas pelos alunos, corrigir, atribuir notas. Mas estou certa de que levei muito mais tempo preparando as atividades desta quarentena, onde estamos desenvolvendo trabalho remoto, do que eles levaram para fazer. Será que é algo tão absurdo assim querer que eles leiam um livro? Não sei, vai ver é. Só não consigo enxergar dessa forma, já que não passo um dia sequer da minha vida sem ler alguma coisa, qualquer livro físico ou digital ou mesmo um mangá. Estou aqui na frente da tela do computar e ouço BTS na tevê da sala, curtindo o momento. Fechar e digitar as notas foi fácil, pois a maioria dos alunos, simplesmente, deletou o fato de terem aulas de Língua portuguesa e a necessidade de fazer alguma atividade para que eu possa atribuir uma nota por seu esforço. Não sou carrasca. Se...

Resenha Gregório de Matos

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Com tanta poesia contemporânea fazendo sucesso nos dias de hoje, as pessoas esquecem seus poetas clássicos e o quão poderosas suas produções artísticas foram para seu tempo e para a nossa compreensão da sociedade de outras épocas. Gregório de Matos, também conhecido como "Boca do inferno", foi um desses exemplos de poeta que viveu entre os anos de 1636 a 1696. Sua poesia agrada pela sonoridade, visto que muitos desses poemas seguem a forma clássica dos sonetos, mas, ao mesmo tempo, incomoda seu tempo com suas produções satíricas. Ele não tinha papas na língua ao citar os nomes de suas "vítimas" em seus poemas. Eu gosto particularmente dos poemas morais e de amor, pois para compreender os poemas satíricos, muitas vezes, temos de recorrer às explicações históricas e não apenas a uma busca pelo seu vocabulário. Iuri Pereira reuniu os poemas do autor nessa antologia e os dividiu por assunto, fazendo intervenções breves do sentidos de alguns termos usados pelo poeta. R...

Grande sertão: veredas

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O que dizer de uma leitura tão consagrada e difícil? O livro é um diálogo entre o narrador (Riobaldo) e alguém que não se tem certeza de quem seja, talvez um homem da cidade, alguém mais jovem, ou uma pessoa que não conhece as dificuldades de se viver no sertão. Riobaldo foi jagunço, estudou, não teve pai (apenas um padrinho) e viveu no meio do sertão e de suas veredas (rios, caminhos). Ele é um homem dividido, controverso, não se decide sobre a existência de Deus e do diabo, não sabe se quer essa vida de jagunço ou se deseja ser líder. Seu coração também é dividido entre o amor por Otacília (e outras mulheres que conheceu pelas veredas da vida) e Diadorin, um jagunço lindo, conhecido por Reinaldo. Nessa história temos conhecimento dos pensamentos dele por Diadorin e do seu desejo pelo rapaz, no entanto, ele nunca cogitou a hipótese de se declarar. Riobaldo conta suas aventuras na jagunçagem e o desejo de vingança. Mas, por ele, talvez fosse melhor ter abandonado tudo e vo...

Resenha Cem anos de solidão

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O colombiano Gabriel García Márquez lançou Cem anos de solidão em 1967 e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura por essa obra de Realismo mágico, ou Realismo fantástico, em 1982. Dizem que esse livro é o segundo melhor livro de língua espanhola, só perdendo para Dom Quixote. Sem  querer desmerecer a grandiosa obra de Miguel de Cervantes, não concordo com isso. Li os dois livros, e, talvez por ser mais moderno, o livro Cem anos de solidão é muito melhor. É claro que essa é uma opinião de uma reles professora de língua portuguesa apaixonada por leitura. O primeiro indício da grandiosidade do livro é ele ter me feito largar todas as outras leituras de lado e me focar apenas nele. Os vinte capítulos são longos e eu não consegui parar de ler. A cada parágrafo e a cada página, eu queria entender mais e mais as personagens que surgiam ao longo da história e acompanhar sua história e fazer a ligação entre as histórias. Para quem não conhece a história, Cem anos de solidão conta a história da ...

Resenhando a vida

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Uma leitura finalizada diz muito mais sobre mim mesma do que do livro lido. Difícil abandonar uma leitura e, ao começar um livro novo, sempre busco a leitura por causa de alguma situação que me fez abrir espaço para ela. Às vezes, é por conta de demandas do trabalho, como por exemplo, Emília no País da Gramática. Como assim, uma professora de língua portuguesa que nunca leu esse clássico de Monteiro Lobato na íntegra? Então, comprei uma edição nova em folha (mesmo quando já tinha outra em PDF na minha estante virtual) e li. Li com olhar crítico, notando as mudanças da língua, e anotando possibilidades de exercícios de interpretação e análises semântica e sintática (para poder trabalhar com meus alunos do ensino fundamental de anos finais).  Estar de quarentena me deixou mais obcecada pelas minhas leituras. Montei pilhas de livros físicos novos e encalhados e baixei milhares de livros no Kindle (principalmente, os gratuitos) e comecei minhas leituras. Três ao...

Resenha Harry Potter e a Câmara secreta

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Relendo esse segundo volume da série Harry Potter, percebo que, as impressões que tive em minhas leituras anteriores, se mantêm. O livro é muito bem construído em termos de enredo e de personagens. Aos poucos, JK Rowling vai introduzindo personagens e pistas sobre coisas mais grandiosas que aparecerão mais para frente na narrativa. Ela não deixa pontas soltas dentro desse segundo ano escolar de Harry e, ao mesmo tempo, usa uma linguagem que qualquer criança da mesma faixa etária dos protagonistas da história poderia acompanhar sem problema. Um livro que gostaria de ter tido oportunidade de ler quando era criança. Mas, mesmo tendo lido em fases diferentes em minha vida adulta, isso não me tirou o prazer dessa leitura.